PIGMENTOS E CORANTES PARA COSMÉTICOS

Os cosméticos coloridos têm o poder de embelezar a pele, unhas ou cabelos, bem como transgredir e revelar determinada personalidade. Entretanto, para conhecer o mundo colorido dos produtos cosméticos com toda a força da cor é fundamental entender sobre pigmentos e corantes, suas diferenças e como são classificados. Confira!

Um mundo sem cor seria sem graça e monótono, não é mesmo?! As cores são um atrativo para o consumidor utilizados pelas indústrias alimentícia, farmacêutica, têxtil e cosmética. E os elementos e substâncias que tornam tudo colorido são divididos em corantes e pigmentos.

 

PIGMENTOS E CORANTES

 

Pigmentos e corantes são substâncias que quando aplicadas a um material lhe conferem cor. Basicamente, o corante é uma molécula pequena, solúvel quando aplicada, e somente promove o tingimento e a cor, mantendo assim, a transparência do objeto tingido. Já os pigmentos são compostos comparativamente grandes, insolúveis e promovem cobertura, opacidade, tingimento e cor. Logo o pigmento dá cor e tira a transparência.

Outro diferencial entre os dois é o poder tintorial, a resistência à luz e às intempéries. O corante possui um poder tintorial muito superior ao do pigmento, sendo necessária uma quantidade muito maior de pigmento para se obter a cor proporcionada por um corante. Já quanto à resistência à luz, os pigmentos superam os corantes.

Normalmente pigmentos e corantes são fornecidos em forma de pó, cabendo à indústria fazer o processo de moagem, dispersão ou dissolução até o ponto desejado para a aplicação no material ou substrato. Eles também podem ser adquiridos pré-dispersos, prontos para o uso, na forma líquida ou em pasta, já beneficiados com aditivos, estabilizantes e outros componentes.

No mesmo segmento químico de pigmentos e corantes estão os branqueadores ópticos. Eles não possuem cor visível ou sua cor é fraca. Quando aplicados em um material, os branqueadores absorvem luz ultravioleta e emitem a maior parte desta energia absorvida como radiação fluorescente azulada, alterando a percepção da cor dos produtos.

O desenvolvimento de produtos cosméticos demanda o uso de corantes e pigmentos. Os corantes são muito utilizados em formulações de coloração capilares e produtos cosméticos, como shampoos e sabonetes, além de também serem empregados em produtos transparentes e coloridos, como perfume e brilhos labiais.

Os corantes quando utilizados em tinturas capilares podem agir por decomposição ou por oxidação. Os corantes por deposição são moléculas hidrossolúveis que se depositam na parte externa do fio, porém oferecem menor durabilidade da cor, na comparação com os corantes por oxidação. Já os corantes que agem por oxidação são compostos hidrossolúveis que não possuem uma cor específica, mas permite maior modificação da cor natural do fio, bem como maior durabilidade da cor aplicada.

Quanto aos pigmentos eles podem ser orgânicos ou inorgânicos, sintéticos ou naturais.

Os pigmentos inorgânicos se dividem em sintéticos e naturais. Os inorgânicos naturais são geralmente óxidos e possuem menor cobertura, maior dificuldade de dispersão e menor poder tintorial; já os inorgânicos sintéticos, por serem produzidos em um processo industrial controlado, têm algumas propriedades melhoradas, proporcionando maior cobertura, uniformidade na cor, poder tintorial superior e melhor dispersão, o que resulta em estabilidade na aplicação.

As matérias-primas usadas para produzir os pigmentos inorgânicos coloridos são os óxidos de ferro devido a ampla variedade de tons e a ótima resistência a luz. Já o dióxido de titânio é o pigmento inorgânico branco mais usado.

Em contrapartida, os pigmentos orgânicos são substâncias que apresentam em sua estrutura química grupamentos chamados cromóforos, responsáveis por lhes conferir cor e podem ser obtidos através de derivados do petróleo ou origem animal. Eles permitem a obtenção de todas as nuances de cores e todos os níveis de resistência.

De modo geral, os pigmentos inorgânicos têm maior opacidade e poder de cobertura e de tingimento. Os pigmentos orgânicos têm mais brilho e transparência. Mas o que, muitas vezes, influencia a escolha em favor dos inorgânicos é o fato de estes serem significativamente mais baratos.

Pigmentos são usados nas indústrias de tintas, plásticos, cerâmicas e cosméticos, entre outras. Existem pigmentos que proporcionam proteção e efeitos decorativos, como é o caso dos pigmentos metálicos e os de efeito perolizado. Batons podem levar pigmentos metálicos, por exemplo. Já os corantes são usados principalmente na indústria têxtil, mas também nas indústrias de artefatos de couro, papel, alimentos, cosméticos, tintas e plásticos.

 

CLASSIFICAÇÃO DAS CORES

 

Normalmente, cada substância corresponde a uma formula química. Porém, corantes, pigmentos e branqueadores ópticos são compostos complexos, e em muitos casos as substancias não são puras e são constituídas por mistura de vários compostos e outros não possuem estrutura química definida. Por esse motivo, a nomenclatura química usual raramente é usada, preferindo-se utilizar os nomes comerciais.

Assim, para ajudar na identificação, a cor é definida pelo seu número CI (Color Index Number) ou Índice Internacional de Corante (Color Index International), que é um sistema de classificação de cores estabelecido pela Society of Dyers and Colourists, da American Association of Textile Chemists and Colorists e da British Society of Dyers and Colorists, que contém uma lista organizada de nomes e números para designar os diversos tipos.

O Índice de cor contém 5 algarismos, devidamente escalonados pelo tipo de estrutura do corante ou pigmento. Os números entre 10000 a 74999 são destinados para as várias famílias de corantes orgânicos; os números entre 75000 e 76999 são destinados para corantes naturais; finalmente, os números entre 77000 e 77999 são destinados aos pigmentos inorgânicos. 

 

Numeração de Corantes e Pigmentos segundo o C.I.
Estrutura
Numeração
Categoria
Nitroso
10000-10299
Nitro
10300-10999
Monoazo
11000-19999
Corantes Azo
Disazo
20000-39999
Corantes Azo
Estilbeno (Diaril eteno)
40000-40799
Diarilmetano
41000-41999
Corantes de Diarilmetano
Triarilmetano
42000-44999
Corantes de Triarilmetano
Xanteno
45000-45999
Acridina
46000-46999
Corantes de Acridina
Quinolina
47000-47999
Corantes de Quinolina
Metino
48000-48999
Tiazol
49000-49399
Corantes Tiazol
Indamina
49400-49699
Indofenol
49700-49999
Corantes de Indofenol
Azina
50000-50999
Corantes de Azina
Oxazina
51000-51999
Corantes de Oxazina
Tiazina
52000-52999
Corantes de Tiazina
Aminocetona
56000-56999
Antraquinona
58000-72999
Corantes de Antraquinona
Indigóides
73000-73999
Corantes de Índigo e Quinacridonas
Ftalocianina
74000-74999
Corantes de Ftalocianina
Corantes naturais
75000-76999
Pigmentos Inorgânicos
77000-77999
Pigmentos Inorgânicos

 

Os corantes e pigmentos também podem ser classificados de acordo com as classes químicas a que pertencem e com as aplicações a que se destinam. Dessa forma os números de Colour Index são atribuídos quando a estrutura química é definida e conhecida, onde os corantes e pigmentos podem ser classificados em 26 tipos, segundo os critérios das classes químicas, e em 20 tipos, além de algumas subdivisões, do ponto de vista das aplicações.

Na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), estão classificados nas posições 3204; 3205; 3206 e 3207.

 

REGULAMENTO

 

Os corantes têm sido alvo de questionamentos sobre a sua segurança ao longo do tempo. No século 19, nos EUA, foram registradas as primeiras ocorrências toxicológicas envolvendo corantes, quando mulheres morreram ao ingerirem alimentos coloridos com sulfato de cobre. Por isso, no início do século 20 foi instituída uma lista de corantes permitidos em alimentos pelo governo norte-americano.

Em 1938, a primeira lista de corantes aprovados para uso em cosméticos pela agencia norte-americana Food and Drug Administration – FDA, foi divulgada, estabelecendo a aprovação individual para cada batelada de fabricação, surgindo, portanto, os corantes “certificados”. Contudo, voltaram a ocorrer acidentes envolvendo corantes na década de 1950, levando a FDA a tornar obrigatório testes rígidos para comprovar a segurança de corantes, levando assim, a diminuição de corantes certificados.

Sendo assim, existe regulamentos para a utilização de pigmentos e corantes em cosméticos. Para saber quais são e seus níveis de uso, no Brasil, é indicado consultar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, e determinar quais são as regras regulatórias no início do processo de desenvolvimento do produto, afim de poupar tempo e selecionar os pigmentos e corantes permitidos e que atendam as tonalidades desejadas.

 

 

 

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