A ARTE DE COLORIR OS CABELOS

Atualmente, aproximadamente 45% das mulheres dos países industrializados consumem produtos colorantes. Isso se deve ao fato da cor dos cabelos ter importante impacto nas interações sociais, despertando fortes respostas emocionais e muitas vezes, refletindo nosso relógio biológico. E a consequente perda da cor dos cabelos preocupa muitas pessoas quase quanto à calvície. Portanto, conheça mais sobre o processo de colorir os cabelos. Não Perca!

Com o avanço da tecnologia cosmética aplicada a diferentes sistemas de tinturas para os cabelos, os produtos colorantes estão despontando como uma forte tendência mundial e sua utilização está cada vez mais frequente.

A explosão de cores e as diferentes tonalidades encontradas nos cabelos das pessoas nos dias de hoje, demostra o relacionamento das cores com as tendências da moda, com o prazer relacionado ao bem-estar e em manter-se atualizado, com tons vivos. Os consumidores sentem uma necessidade especial em manter a fixação das cores por mais tempo, a aparência do novo em função das frequentes lavagens e tratamentos.

Mas você sabe como surgiu os produtos para colorir os cabelos?

 

ORIGEM DOS CORANTES

 

Tingir os cabelos é uma arte antiga, que remonta aos tempos dos faraós. Há mais de três mil anos os egípcios foram os primeiros a desenvolver a técnica de tintura de tecidos e de cabelos, utilizando inúmeros corantes que extraíam de frutas, casca de árvores, sementes, insetos, ervas, folhas, minerais e outros materiais.

Estes mesmos corantes foram utilizados por muitas civilizações no decorrer dos séculos, e mesmo até nos dias atuais. Existem vários relatos na Bíblia e no Talmud, revelando que o povo hebraico utilizava várias formas de óleos e de tinturas extraídas de pedras coloridas para dar maior alegria e beleza aos cabelos.

Na Roma Antiga, por volta do ano 300 a.C., as cores dos cabelos das mulheres indicavam sua posição social: as nobres tingiam os cabelos de vermelho, as da classe média os coloriam de louro e as plebeias, de preto. Já no início da era cristã, romanos escureciam os cabelos com uma tintura feita a partir de castanhas e alho-poró cozidos. Para conseguir clarear os cabelos, mulheres da nobreza no século XV, passavam horas sob o sol, usando açafrão e cascas de cebola sobre as madeixas.

Índios brasileiros pintavam os cabelos brancos com uma pasta feita de jenipapo. Outra planta, urucum, é usada por índios de várias regiões do continente americano desde tempos remotos, para tingir cabelos e pintar o corpo.

As ervas seguiram como a base para colorir os cabelos até o início do século XX. Há aproximadamente um século, o desenvolvimento da ciência da química orgânica sintética disponibilizou inúmeras tinturas novas mais eficientes. Atualmente, muitos corantes são superiores aqueles que podem ser extraídos de substâncias naturais, o que é evidenciado pelas diversas cores que conhecemos.

Em 1909, o químico francês Eugène Schueller criou a primeira coloração segura, elaborada a partir de uma nova substância, a para-fenil-enodiamina. O químico fundou, no mesmo ano, a empresa French Harmless Hair Dye e Company. No ano seguinte, este nome foi mudado para L’Oréal e os produtos passaram a ser vendidos em salões de beleza em Paris, França. A tintura mais famosa da companhia, Imédia, foi criada em 1927.

A novidade que agradou as francesas, passou então a ser exportada para países como a Holanda, Áustria e Itália. Nos anos 1930, a empresa começou a exportar para Brasil, Chile, EUA, Peru, União Soviética e Inglaterra.

Nas décadas seguintes, novas tecnologias possibilitaram a diversificação dos tipos de colorações. Nos anos 1950, foi criado o primeiro shampoo colorante do mercado. Desde a instalação da primeira fábrica da L’Oréal no Brasil, em 1960, várias marcas nacionais surgiram no mercado, que passou a oferecer produtos com maior praticidade na aplicação, menos agressivos e com mais opções de tonalidades.

 

A COR DO CABELO

 

A cor natural dos cabelos é controlada geneticamente, produzida por grânulos de pigmentos formados nos melanócitos presentes no bolbo capilar e então transferidos para as células do córtex e medula, através de prolongamentos existentes nos melanócitos.

 

 

Os melanócitos produzem uma série de pigmentos com diferentes estruturas e composição química. Variando-se a natureza do pigmento, a quantidade e modo de distribuição no cabelo podem ser produzidos uma larga faixa de cores.

O pigmento que dá a cor natural dos cabelos é chamado de melanina. E a grande variedade de cor natural do cabelo se dá pela associação de dois tipos de melanina. São elas:

 

1 – Eumelaninas

Quimicamente, as eumelaninas são polímeros que consistem principalmente em 5,6-di-hidroxiidol (DHI) e, em menor quantidade, de 5,6-di-hidroxi-indól-2-ácido carboxílico (DHICA), ligados através de vários tipos de ligações carbono-carbono.

É o tipo mais comum de melanina e é o principal pigmento encontrado nos cabelos castanhos a preto.

 

2 – Feomelaninas

Muito pouco se sabe sobre a estrutura geral das feomelaninas, que incluem diversos pigmentos de diferentes estruturas e composições. Em termos amplos, as feomelaninas caracterizam-se por complexa mistura de polímeros que contêm alta porcentagem (10-12%) de enxofre, apresentando-se principalmente em unidades de 1,4-benzo-tiazinil-alina unidas aleatoriamente através de vários tipos de ligações.

É menos abundante e é o pigmento encontrado nos cabelos louros a ruivos.

As principais unidades estruturais das melaninas estão descritas na figura abaixo.

 

 

Dessa forma, a cor natural do cabelo é consequência das proporções relativas de eumelanina/feomelanina e da quantidade total de melanina presente no cabelo. Cabelos escuros e castanhos apresentam grande quantidade de eumelanina e cabelos loiros e ruivos grandes quantidade de feomelanina. Somente o cabelo completamente branco não contém qualquer tipo de melanina, visto que o branco é a cor real da queratina sem a influência da melanina.

O cabelo cinzento ou branco resulta da diminuição da produção de melanina pelos melanócitos, e é a manifestação mais clássica do envelhecimento. Isso normalmente acontece entre os 28 e 42 anos de idade. Este processo é quase sempre irreversível, e os produtos cosméticos procuram combatê-lo das mais diversas formas. A chegada dos cabelos brancos pode-se também ser causado por outros fatores além da idade, como distúrbios na tireoide ou problemas de anemia.

 

O PROCESSO DE COLORAÇÃO E O SEU PARADOXO

 

Há aproximadamente um século, o desenvolvimento da ciência da química orgânica sintética disponibilizou inúmeras tinturas novas mais eficientes. Atualmente, muitos corantes são superiores àqueles que podem ser extraídos de substâncias naturais, o que é evidenciado pelas diversas cores que conhecemos.

Mas há um problema com relação à tintura de cabelo humano, um paradoxo: a porção externa do cabelo humano, ou cutícula, apresenta inúmeras camadas interligadas e caso se deseje que a cor não saia do cabelo ou não seja facilmente lavada, as moléculas do corante devem penetrar na cutícula e serem absorvidas pelo córtex. No entanto, diferente dos tecidos, que podem ser tingidos em temperaturas altas e por muitas horas, o cabelo humano deve ser tingido em temperatura ambiente, com período de aplicação relativamente curto.

Portanto, para que as moléculas penetrem na cutícula do cabelo humano, elas devem espalhar-se muito rapidamente. Isto significa que as moléculas que constituem as tinturas de cabelo devem ser pequenas. Contudo, para colorir o suficiente e ser utilizada como corante, a molécula deve ser relativamente grande: Este é o PARADOXO.

Embora pareça uma situação impossível, há pelo menos três diferentes soluções para o problema, e cada solução dá origem a um tipo diferente de produto colorante para os cabelos.

Os dois principais ingredientes de tintura para cabelos são o peróxido de hidrogênio e a amônia. Os processos de coloração dos cabelos são baseados em sistemas oxidativos, iônicos, metálicos ou reativos. Estes são classificados como:

 

1 – Sistema Permanente ou Oxidante

São formados por substâncias intermediárias ou precursoras de cor e acopladores. As substâncias intermediárias funcionam como corantes apenas depois de oxidadas (H2O2), ligando-se aos acopladores e produzindo a cor desejada. O processo baseia-se, portanto, em reações de precursores – pigmentos, que ocorrem no interior da fibra capilar sob condições específicas, estas reações geralmente ocorrem em meio alcalino (amônia) pH 8 a 10.

 

Mecanismo de Sistema de Coloração Permanente.

 

A amônia promove a abertura das cutículas facilitando a absorção dos corantes e do peróxido de hidrogênio. Ajustando as proporções de oxidante (H2O2), precursores e acopladores, pode-se obter tonalidades mais claras ou escuras.

Os corantes precursores são derivados da Anilina, como mostra a figura abaixo. Os precursores são di-funcionais orto ou para-diaminas ou amino-fenóis que são oxidados para diimina p-quinona.

 

Ex. de Corantes Precursores utilizados em Colorações para Cabelos.

Como consequência deste mecanismo, há diminuição da maciez, brilho, aumento do esforço necessário para pentear, além da diminuição de atributos indispensáveis e desejados em um cabelo saudável.

 

2 –  Sistema Semipermanente

Outra solução ao grande paradoxo da tintura de cabelo envolve o uso de moléculas de tamanho intermediário. Estes corantes com moléculas de tamanho intermediário realmente penetram na cutícula do cabelo e são depositados no córtex. Eles não são removidos com uma simples lavagem com água e não sofrem o efeito fricção.

Contudo, estes corantes não se espalham completamente através da cutícula para o córtex, e assim eles retornam novamente para fora. Dessa forma, ao lavar os cabelos os shampoos os remove gradualmente. Em geral, eles saem do cabelo com cinco ou seis aplicações de shampoos, o brilho acaba e o cabelo cinza começa a aparecer, sendo necessário reaplicar o produto.

Como estes corantes não são verdadeiramente permanentes, nem são completamente removidos com uma ou duas lavagens com shampoo, eles são denominados semipermanentes.

 

Mecanismo de Sistema de Coloração Semipermanente.

 

3 –  Sistema Temporário

Neste caso são utilizados corantes que apresentem moléculas demasiadamente grandes em sua composição, que não podem atravessar a cutícula do cabelo sob condições normais. Os produtos de tintura de cabelo que usam tais corantes geralmente são aplicados por processo de deposição. Deixa-se a solução de corante secar sobre o cabelo e os corantes se depositam sobre a superfície da cutícula.

 

Mecanismo do Sistema de Coloração Temporária.

 

Algumas desvantagens importantes também estão associadas às tinturas temporárias: os corantes são removidos pelo uso de shampoo e até pela simples umectação dos cabelos. A exposição à chuva pode transferir o corante para as roupas ou pode mesmo colorir a pele; o corante pode até manchar superfícies como roupas de cama.

Veja também “QUÍMICA DO CONDICIONADOR – COMO MELHORAR A MALEABILIDADE DOS FIOS?”.

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