PRODUÇÃO DE SHAMPOOS

A arte de desenvolver uma formulação cosmética não está só na combinação dos ingredientes e em sua performance, mas também no conhecimento técnico e principalmente dos requisitos específicos e as precauções requeridas para cada categoria de produto. Portanto, veja os aspectos fundamentais para o processo de fabricação de shampoos. Não Perca!

Ao longo da história da humanidade são relatados rituais de cuidados com a higiene pessoal e, na maioria das vezes, tais hábitos eram relacionados a pureza de espírito.  Cabelos expressam a personalidade das pessoas, por isso recursos para tratá-los e embelezá-los acompanham a trajetória dos seres humanos.

 

 

 

Tecnicamente, os cabelos são pelos terminais queratinizados que crescem no couro cabeludo, e tanto a estrutura do cabelo infantil como a do adulto é composta pelas seguintes camadas:

 

 

A cutícula é o envelope externo da fibra do cabelo, sendo a principal barreira à penetração de agentes químicos no interior da fibra capilar. As células que formam a cutícula são chamadas de escamas, pois se sobrepõem como uma telha, formando camadas de 3 a 10 células transparentes e opacas, que são unidas por um cimento intracelular rico em lipídios.

O córtex é o interior do fio de cabelo e compõe cerca de 75% a 90% da massa da fibra capilar. É constituído de células queratinizadas e possui uma estrutura compactada, sendo a parte fundamental da haste capilar. É responsável por quase todas as propriedades que definem o cabelo humano e fazem dele algo único, com sua forma, cor, resistência, elasticidade e quantidade natural de umidade nos fios.

A medula pode ser vazia ou repleta de componentes porosos, não tem função específica nos cuidados dos fios e compõe apenas uma pequena fração da massa capilar.

 

SHAMPOOS

 

A limpeza dos fios e do couro cabeludo é de fundamental importância para a manutenção de sua beleza. Além do excesso de óleo, das partículas de sujeira de poluição e das células mortas do couro cabeludo, devemos remover os resíduos de cosméticos que são aplicados diariamente nas madeixas.

Durante séculos, usou-se sabão para lavar os cabelos. Entretanto, o sabão além de causar ressecamento dos fios, era muito irritante para o couro cabeludo e não proporcionava brilho e penteabilidade aos cabelos. No Brasil, até a primeira metade do século 20 era comum que as pessoas lavassem os cabelos com sabão de lavar roupa, o que acabava danificando muito a fibra capilar devido ao alto poder de detergência e pH extremamente alcalino.

Os shampoos como conhecemos hoje tiveram origem na Alemanha em 1890, contudo sua popularidade só ocorreu após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). São produtos destinados à limpeza, à higienização e ao embelezamento dos cabelos e do couro cabeludo.

Devem apresentar algumas qualidades como: deixar os fios soltos, brilhantes e fáceis de pentear, não promover eletricidade estática e não modificar o pH do couro cabeludo. Os shampoos além de limpar, devem tratar os fios, o couro cabeludo e auxiliar no penteado, conferindo maciez e brilho.

Os shampoos podem ser encontrados na forma de líquido cremoso, gel ou até mesmo em pó. São classificados de acordo com o tipo de cabelo, por exemplo: shampoos para cabelos oleosos, cacheados, lisos etc., ou com o benefício que proporcionam aos fios, como hidratação, proteção da cor, definição de cachos, etc.

 

O QUE TEM NO SHAMPOO?

 

1 – Tensoativos

O componente principal de uma formulação de shampoo é a presença de um ou mais tensoativos, que são os agentes de lavagem e têm a função de limpar toda a extensão dos fios e do couro cabeludo.

Os tensoativos são matérias-primas que têm a propriedade de reduzir a tensão superficial da água e de outros líquidos. Possuem essa característica por serem constituídos de uma parte polar e outra apolar, ou seja, sua molécula apresenta um componente hidrofílico e outro hidrofóbico. A porção polar é solúvel em água e a apolar é insolúvel em água, e essa característica doa ao shampoo o poder de eliminar resíduos graxos, suor, poeira e outras sujidades dos fios de cabelo.

Os tensoativos podem ser classificados quanto a sua propriedade de maior destaque, como: emulsionantes, detergentes, espumantes, condicionadores, antiestético, emolientes, etc. Também podem ser classificados conforme o caráter iônico da sua porção polar em: tensoativos aniônicos (negativo), catiônicos (positivo), anfotéricos (negativo ou positivo conforme o pH da solução) e não iônicos (não possuem carga). Os tensoativos utilizados especificamente em shampoos para a limpeza dos fios são os aniônicos, os anfotéricos e os não iônicos.

 

Tensoativos Aniônicos: São os mais utilizados em shampoos por causa de sua ação detergente, ou seja, de seu poder de remoção de sujidades. Em sua cadeia polar, esses tensoativos possuem um íon negativo denominado ânion. Quando em contato com o cabelo, a porção polar do tensoativo adere-se a gordura, emulsificando-a (solubilizando e dispersando a gordura), e formando pequenas gotículas, chamadas micelas, que sofrem repulsão devido a carga aniônica do tensoativo. Assim, a sujeira é suspensa e removida pela água.

 

 

 

 

Tensoativos Não Iônicos: São efetivos estabilizantes de espuma quando adicionados aos tensoativos aniônicos em proporção adequada. Eles não se dissociam em água, mas adsorvem-se sobre a superfície das partículas com seus grupos hidrófilos fortemente hidratados, por meio de pontes de hidrogênio, formando uma camada espessa na solução, o que diminui a espuma no momento da lavagem. Também confere a formulação maior viscosidade e, em alguns casos, aspecto perolado. Têm baixo poder de detergência e espuma, além de causar baixa irritabilidade na pele e nos olhos.

 

Tensoativos Anfotéricos: São adicionados a formulação porque apresentam menor poder detergente e conferem aos cabelos um residual gorduroso, o que os tornam menos agressivos. Não devem ser utilizados isoladamente, mais ser associados aos tensoativos aniônicos para que se obtenham melhores resultados.

 

2 – Agentes Quelantes

Também conhecidos como sequestrantes, os agentes quelantes são componentes utilizados nos produtos cosméticos para evitar problemas de estabilidade, como mudança de cor, de cheiro e de aparência.

Os agentes quelantes atuam complexando e inativando íons metálicos, como cálcio, ferro, cobre e magnésio provenientes da água, ou de matérias-primas da formulação.

 

3 – Reguladores de Viscosidade

Também chamados de espessantes, os reguladores de viscosidade têm a capacidade de aumentar a viscosidade do produto, impactando em sua estabilidade, seu sensorial e sua aparência.

 

4 – Reguladores de pH

Esses reguladores são substâncias utilizadas para ajustar o grau de acidez ou alcalinidade do produto. São classificados como neutralizantes, alcalinizantes, acidulantes e tampões.

 

5 – Umectantes

Os umectantes são substâncias higroscópicas que têm a propriedade de reter água na pele, no cabelo e nos produtos cosméticos.

 

6 – Agentes de Condicionamento e Formadores de Filme

Os agentes de condicionamento para uso em shampoos conferem aos fios melhor desembaraço, enquanto os formadores de filme conferem alinhamento aos cabelos. Sua estrutura catiônica faz com que esses agentes sejam rapidamente absorvidas pelos fios, reduzindo a porosidade ou formando um filme de proteção e de impermeabilização. Isso aumenta a resistência e a elasticidade dos fios, conferindo-lhes grande maciez e excelente condicionamento.

 

7 – Agentes Perolizantes ou Opacificantes

Esses agentes são bases peroladas constituídas de tensoativos que proporcionam brilho perolado aos shampoos.

 

8 – Preservantes

A preservação de um cosmético é obtida pelo uso de preservantes em sua formulação, o que aumenta a vida útil do produto, garantindo seu prazo de validade desde o momento da sua fabricação até ele chegar à casa do consumidor.

 

9 – Fragrâncias

As fragrâncias são matérias-primas modificadoras de características organolépticas. O termo fragrância está relacionado ao perfume, ao aroma, ao cheiro, ao odor produzido por uma substância ou por uma mistura de substâncias.

 

* Formulação Básica

Abaixo é apresentado um exemplo de formulação típica de shampoos. Na formulação, podem-se ainda incluir extratos, corantes e outros aditivos que vão compor o claim do produto.

 

 

PROCESSO DE PRODUÇÃO DE SHAMPOOS 

 

O processo de fabricação de um shampoo é relativamente simples: trata-se da mistura dos ingredientes respeitando a polaridade e a solubilidade de cada um de seus componentes.

Ao utilizar algum componente ceroso, este deve ser aquecido separadamente e adicionado ao processo.

 

Características Físico-Químicas do Produto Final

As características físico-químicas desejadas de um produto final cosmético para a categoria de shampoo líquido devem atender aos seguintes parâmetros:

 

– pH: 5,50–6,00

– Viscosidade: 4.000–7.000 cps

– Aspecto: líquido viscoso

 

O pH do produto pode variar dependendo do tipo de conservante que for utilizado. No caso de ser usado algum conservante ácido, o pH do produto final deve respeitar a especificação indicada de uso da matéria-prima, fornecida pelo fabricante.

A viscosidade do produto final depende do tipo de frasco a ser utilizado e do público-alvo. Por exemplo, no caso de um produto infantil, a viscosidade é de aproximadamente 3.000 cps para facilitar o uso do produto pela criança durante o banho.

Vale ressaltar que todo produto cosmético a ser desenvolvido deve seguir as legislações pertinentes, além de respeitar as indicações de uso fornecidas pelo fabricante do material.

O desenvolvimento de um shampoo deve ser realizado de forma consistente, levando em consideração as interações entre os materiais, suas solubilidades e suas polaridades, evitando assim incompatibilidades e possíveis desestabilizações da formulação durante seu prazo de validade.

Veja também “PRODUÇÃO DE GÉIS COSMÉTICOS”.

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Comments

  1. rodrigo silveira

    comprei o guia pratico de cosméticos capilares esta semana e por causa do trabalho só pude começar a ler hoje, através do curso achei o seu terabalho, incrível , completo, direto e simples. parabéns e muito obrigado por dividir seus conhecimentos.

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