O NOVO DESAFIO DAS EMBALAGENS

É muito comum ouvir sobre ingredientes, formulações, estudos de estabilidade, segurança e eficácia no setor de pesquisa e desenvolvimento, mas não se fala das embalagens com o destaque necessário. Portanto, saiba mais sobre o universo das embalagens no mercado cosmético e as mudanças que ocorrem com a crise da pandemia. Não Perca!

A elaboração do projeto de embalagem é de grande importância no desempenho do novo produto, pois, diferentemente da embalagem de um produto eletrônico – que normalmente é destacada assim que este é embalado -, a embalagem do cosmético, na grande maioria dos casos, permanece com o consumidor durante toda a vida útil do produto, cumprindo, inclusive, um papel essencial na manutenção das características e utilidades do produto.

E cumpre este papel não somente ao conter ou proteger a formulação, mas também ao dar informações importantes ao consumidor sobre modo de uso e precauções e, ainda, ao disponibilizar o produto de forma segura. Estes fatos já são motivos suficientemente relevantes para que o desenvolvimento de embalagens seja muito tecnológico, mas existem outros requisitos que têm ganhado muita relevância.

Especialistas entenderam a importância da comunicação da embalagem nos tempos atuais, em que as pessoas são constantemente bombardeadas por mensagens publicitárias. Assim, ela também passa a ser uma peça de publicidade, porque estará constantemente a vista do consumidor. Além de adequada, elegante e funcional, terá que ser honesta e verdadeira.

Não há mais espaço para imagens exageradas ou fora de contexto. Imagens inadequadas podem comprometer até a segurança do produto, ao promover um uso inadequado. Também não há espaço para inverdades ou exageros. Não é uma boa prática desapontar o consumidor. Além de desvalorizar a marca e a imagem do fabricante. Seria uma publicidade negativa e constante. Um prejuízo e tanto.

Na lista de desafios, não se pode deixar de falar da questão custo e preço. Muitas vezes, o custo da embalagem é consideravelmente maior que o custo da própria formulação. Isto acontece provavelmente para que ela cumpra parte de sua missão, que é encantar o consumidor. Ou seja, o consumidor paga para ser encantado.

Por mais que seja comum e lógico, isto sempre pareceu injusto. Agora, numa época na qual a consciência valoriza o gasto racional e privilegia aquilo que efetivamente vai gerar o benefício, parece que será necessário rever este conceito. Talvez este excesso ainda seja permitido somente aos perfumes. Pelo menos por um tempo.

Existe outro desafio igualmente importante e difícil. O desafio do impacto ambiental. O senso comum acredita que a conta ambiental – que só era esperada para gerações futuras – já chegou.

Assim, o excesso de material na embalagem será cada vez mais um ponto negativo. A coleta e a reciclagem podem ser uma boa saída, mas devem esbarrar em dificuldades logística e no custo – sempre ele. O sachê, embalagem com menos plástico, é uma boa opção, e já vem sendo usada em sabonetes líquidos e refil de alguns produtos. Outra saída seria mudar a concepção do desenvolvimento de formulações, para criar produtos mais concentrados, com menos água.

Isto já está acontecendo com saneantes. Desde que os produtos sejam simples de usar e não obriguem o consumidor a realizar operações complexas, este formato pode ser muito vantajoso, não só por reduzir o volume de material de embalagem, mas também por proporcionar enormes reduções de custo e preços, inúmeras vantagens beneficiariam toda a cadeia. Seria necessário tratar menor volume de água para a produção, o custo do transporte sofreria redução, com menos consumo de combustível e menos emissão de poluentes.

Haveria aumento da capacidade de produção e estocagem das indústrias, sem necessidade de investimentos. O volume de efluentes seria menor e haveria redução do consumo de energia elétrica. A possibilidade de redução da quantidade de conservantes, corantes e outros materiais reduziria também o impacto ambiental.

Esta face, que até pouco tempo estava oculta, já apareceu com muito destaque, quando o governo do Havaí proibiu o uso da oxibenzona e do octinoxato em protetores solares em seu território. Além do descarte, temos que lembrar que, quando alguém toma banho, uma enorme quantidade de material vai para o meio ambiente. Muitas toneladas de conservantes, corantes e outros materiais atingem os oceanos e podem prejudicar o ecossistema.

Prepare-se. Vem aí novos e grandes desafios.

Além disso, não dá para falar de embalagem sem mencionar o momento que estamos vivendo.

 

EMBALAGENS E A CRISE DA PANDEMIA

 

É na crise que a gente tem que se reinventar e se superar, mesmo com dificuldades de toda ordem. A história nos conta que os grandes eventos nasceram na dificuldade, as soluções mágicas de problemas surgiram quando as pessoas perceberam oportunidades de mudar e não mais conviver com aquele problema. Muitas grandes empresas de hoje deram a volta por cima quando buscavam oportunidades para sobreviver na crise e se tornaram referência.

Mas o que isso tem a ver com as embalagens? Se a gente pensar “dentro da caixa”, realmente não tem nada a ver. E continuaremos a lamentar a crise.

Pensando “fora da caixa”, podemos perceber que, nesse mercado cosmético, temos os mais diversos canais de vendas, sendo que o canal varejo e também o canal franquia foram os mais afetados, por não poderem abrir suas portas e amargarem enormes prejuízos, chegando muitos deles a ter que fechar definitivamente. Por outro lado, o canal porta a porta ou venda direta e, principalmente, o e-commerce foram os que menos sentiram a crise.

Nessa crise, alguns hábitos vieram realmente para ficar. Um deles foi a compra via internet, descoberta por um grande número de pessoas que antes tinham receio de fazer compras nesse canal, por medo de golpes, mas muito mais por desconhecer as ferramentas e/ou pela falta de habilidade para usá-las.

Com isso e por isso, o e-commerce, além de não sofrer tanto com a crise, apresentou enorme crescimento. É óbvio que, com o menor poder de compra em função da perda de empregos e da redução de salários, esse crescimento poderia ter sido ainda maior, mas esse foi um problema que também afetou os demais setores.

Se a venda eletrônica cresceu e isso será cada vez mais um hábito dos consumidores, é hora de direcionar holofotes para os produtos desse canal. Mais do que isso: é hora de olhar para a necessidade de adequação e melhoria dessas embalagens para atender esse canal.

E quais são as oportunidades? É preciso pensar em embalagens mais resistentes ao transporte, principalmente nos baús das motocicletas. Os berços que protegem a perfumaria dentro dos cartuchos vão ser quase que obrigatórios para proteger os frascos de vidro.

Em suma, não se pode mais pensar que, para melhor proteger as embalagens no transporte, vamos ter que continuar usando bolinhas de isopor, papel picado, plástico bolha ou qualquer outra coisa. A função de proteger o produto passa a ser uma das mais importantes dentre as demais funções de uma embalagem.

Outra coisa que percebemos é que, ficando em casa e com mais tempo para passear pela internet, as pessoas perceberam que podem buscar nesse canal respostas que antes elas só conseguiam ligando para o SAC das empresas.

Perceberam também que podem saber mais do produto sem tê-lo na mão. Por outro lado, tornaram-se mais críticas e querem mais. Disparam na frente, então, as empresas que colocarem nas suas embalagens a já conhecida realidade aumentada, que mostra mais do que a simples rotulagem do produto pode mostrar. Com isso, passa a ser quase que obrigatório usar esse recurso nas embalagens, pois ele vai realmente fazer a diferença e ter a preferência do consumidor.

Outro recurso que as embalagens precisarão ter – não para se diferenciarem, mas para estarem atualizadas – será o QR code, já usado por muitas empresas. Virou moda apontar a câmera do celular para a TV e ser direcionado para o site da empresa ou para alguma página específica que nos encante e facilite uma compra. Esse recurso, então, vai precisar estar nas embalagens dos produtos com a mesma finalidade.

Outra coisa que aprendemos nessa crise foi realmente ter que criar, buscar novas soluções para problemas que antes não nos incomodavam. Como foi, por exemplo, com o álcool em gel. Bastou aumentar o consumo e sumiram as válvulas e os frascos, sem citar o sumiço total da matéria-prima.

Da mesma forma, para produzir álcool em gel era obrigatório o uso de válvula. Quantas empresas deixaram de atender seus pedidos por falta desse item? No entanto, vejam no mercado hoje quantas opções foram criadas, desde as tampas flip-top até as impensáveis tampas cegas.

Assim, temos que aprender com essa crise que a embalagem tem a sua importância, mas na hora da necessidade o consumidor quer mesmo é usar o produto. Cabe então pensar fora da caixinha e buscar alternativas que possam unir o útil ao agradável, ou seja, a beleza, a praticidade e a simplicidade da embalagem com a necessidade de uso do produto.

Veja também “INSUMOS NATURAIS EM SISTEMAS DE LIBERAÇÃO PARA COSMÉTICO”.

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