PERFUMARIA: PRODUÇÃO DE PRODUTOS COSMÉTICOS HIDROALCOÓLICOS

Está pensando em produzir perfumes, deocolônias, desodorante, água de cheiro e outros produtos cosméticos hidroalcoólicos para vender e não sabe o que vai precisar? Então, não deixe de ler e veja as matérias-primas e processo de produção para produtos cosméticos hidroalcoólicos. Confira!

Quando falamos em produtos hidroalcoólicos na perfumaria, estamos nos referindo a perfumes, deocolônias, águas de colônia, águas de cheiro, desodorantes, águas perfumadas, entre outros. Esses produtos são soluções de álcool, água, essência ou fragrância, bactericida, propilenoglicol, corantes e etc.

A classificação dos produtos citados acima pode ser encontrada na Lista de Produtos de Grau I, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA.

Uma definição de mercado para esses produtos seria:

 

 

Cada um desses produtos tem formulação específica, com concentração alcoólica e concentrações de essências diferentes, e uma utilização distinta. O preparo desses produtos requer alguns cuidados e procedimentos específicos. Portanto, continue lendo e veja como produzi-los corretamente.

 

MATÉRIAS- PRIMAS

 

1 – Álcool: Normalmente, utiliza-se álcool de cereais ou álcool etílico extra neutro, comercializado no mercado com graduação entre 96 e 98°GL. Essa graduação pode implicar, em alguns casos, na irritação da pele, e por esse motivo dilui-se o álcool para graduações mais baixas. A diluição do álcool é feita com adição de água destilada ou deionizada.

É preciso, contudo, ter uma atenção especial a qualidade do álcool, pois algumas vezes vêm com a graduação correta, 96/98°GL, porém devido a presença de alguns componentes em sua composição, este poderá afetar a qualidade do produto final, influindo na performance da essência.

Um teste prático para a avaliação da qualidade é friccionar o álcool entre as mãos e “cheirar” o efeito imediatamente. Normalmente, o “álcool bom” não deixa nenhum efeito residual nesse teste.

No início, dependendo do produto que está sendo desenvolvido, é necessário testar essências de diferentes famílias olfativas, ou essências da mesma família, porém de fornecedores diferentes. O ideal é que seja preparada uma quantidade suficiente de álcool que será utilizado para a aplicação em todas as essências empregadas.

Em alguns casos, dependendo da família olfativa da essência, normalmente nas de maior teor de matérias-primas originárias de óleos cítricos, ou cuja composição contenha muitas resinas naturais, pode-se deparar com turvação ligeira ou forte da solução. Isso acontece devido a presença da água, utilizada para diminuir a graduação alcoólica.

Como as essências são composições que podem conter óleos essenciais naturais, algumas resinas de origem vegetal ou animal e matérias-primas orgânicas, as misturas obtêm características de um óleo não solúvel em água. Entretanto, esse problema pode ser resolvido utilizando-se carbonato de magnésio na filtração, que irá aglutinar partículas em suspensão, evitando assim, que elas passem para o filtrado.

Normalmente, na segunda ou, no máximo, na terceira filtragem, será obtido um produto límpido e cristalino.

 

2 – Essências: São composições nas quais são encontradas óleos essenciais naturais, resinas de origem vegetal e óleo mineral, além de matérias-primas orgânicas.

As essências são formuladas de acordo com a harmonia que cada nota representa no conjunto. Por esse motivo, divide-se a composição das essências em três fases:

 

 

Essa etapa da essência, dependendo da família olfativa escolhida, vai perdurar na fita olfativa por horas ou até durante alguns dias.

Nunca se pode esperar que essências de famílias olfativas diferentes tenham o mesmo tempo de fixação, pois cada essência é preparada, formulada e balanceada de acordo com as harmonias de suas notas, o que confere uma identidade específica a cada perfume. Por exemplo, não podemos comparar a fixação de uma essência com características cítricas a outra que possua características florais.

 

3 – Avaliação da Fragrância: O tempo que a essência deve permanecer nas fitas olfativas é realmente o melhor “instrumento” que se possui para avaliar os ensaios durante o processo de definir a fragrância.

Após a preparação, o ideal é que se façam avaliações de saída, corpo e fixação na fita de cheiro, pois o perfume pode dar respostas completamente diferentes quando é avaliado diretamente na pele de diferentes pessoas.

Isso ocorre por causa de vários fatores, como a oleosidade da pele de cada indivíduo, o tipo de alimentação, hábitos de higiene, medicamentos utilizados, etc.

De qualquer forma, isso não impede que o produto seja testado pelas pessoas envolvidas, ou até que ocorra uma pesquisa de mercado. Essa avaliação na fita olfativa é indicada para que se obtenha a resposta mais neutra possível, que poderá ser comparada com todos os outros testes de uso.

 

PROCESSO DE PRODUÇÃO

 

Basicamente, o processo de fabricação dos produtos hidroalcoólicos é uma etapa de mistura dos ingredientes – álcool, essência -, maceração, filtração e envase.

 

Mistura: A preparação do álcool na graduação desejada poderá ser feita diretamente em um tanque, com a ajuda de um alcoômetro.

O tanque pode ser de parede dupla e contar com uma serpentina de refrigeração entre as paredes, além de dispor de um termômetro para o controle da temperatura.

 

Maceração: Após a mistura dos ingredientes, o ideal é manter essa solução refrigerada a temperatura em torno de 5 a 10°C. O tempo ideal seria uma semana, pois esse é o tempo necessário para que ocorra o processo de maceração.

Caso haja algum material mais pesado na fragrância, ele vai precipitar-se nessa fase, facilitando a etapa seguinte, o processo de filtração.

 

Filtração: De preferência, com o produto ainda gelado, procede-se a filtração, pois isso diminui os poros do papel filtro. Pode=se utilizar, se necessário, um pouco de carbonato de magnésio (1-2%) como auxiliar nesse processo. O carbonato de magnésio não altera a qualidade olfativa do produto.

Como falamos anteriormente, dependendo do tipo de essência, pode ocorrer que na primeira filtração a solução se apresente um pouco turva. Nesse caso, uma segunda ou mais filtrações devem ser realizadas até que se obtenha uma solução translúcida e cristalina.

No caso de utilização de corantes, o ideal é que estes sejam adicionados após o processo de filtração. Isso ocorre porque parte dos corantes pode ficar retida no filtro, e isso vai interferir no aspecto final do produto.

 

Envase: Após o processo de filtração, deve-se deixar que a colônia atinja a temperatura ambiente para que não ocorra a condensação da umidade ambiente nas paredes externas dos frascos.

 

Sugere-se que desde o processo inicial, durante a escolha das essências, sejam retidas amostras do álcool, do corante e de todas as matérias-primas envolvidas na fabricação do produto, para que sirvam de padrão para a compra de matérias-primas para produções futuras.

Com essas amostras, também podem ser realizados testes de estabilidade de cada essência aplicada, o que auxiliará, nesse caso, na avaliação da performance final do produto.

Vimos que o processo de produção dos produtos alcoólicos é relativamente simples, entretanto, é necessário grande empenho na seleção e na preservação da essência.

Veja também  “PRODUÇÃO DE PRODUTOS COSMÉTICOS NA FORMA LÍQUIDA”

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