COMO MEDIR O pH DE PRODUTOS COSMÉTICOS SÓLIDOS E SEMISSÓLIDOS?

Fabricou seu produto cosmético e não sabe como medir o pH? Medir o pH de uma produto líquido é fácil, mas e quando o produto final é um sólido? Como medir o pH desse produto? Quer saber? Então, continue lendo. Confira!

 

 

pH significa potencial hidrogeniônico sendo o logaritmo negativo da concentração molar de íons de hidrogênio. Dessa forma, o pH é relativo à quantidade de íons de caráter ácido ou básico (H+ e OH) liberados por uma determinada substância quando a mesma é dispersa em água.

Quando a quantidade de íons H+ é maior do que a quantidade de íons OH, dizemos que a substância é ácida. Por outro lado, se a quantidade de íons OH– for maior do que a quantidade de íons H+, dizemos que a substância é básica ou alcalina.

A Escala de pH, que varia de 0 a 14, é utilizada para indicar a acidez e a alcalinidade por meio da medição da concentração de íons de hidrogênio em uma solução aquosa.

O número 7 divide a escala, dessa forma, usa-se como regra que substâncias que apresentam pH 7,0 são consideradas neutras, enquanto que as que possuem pH inferior a 7,0 são consideradas ácidas e as com pH superior a 7,0 são consideradas básicas.

Pode-se perceber então, que a alcalinidade aumenta quando o pH aumenta, em contrapartida, a acidez aumenta enquanto o pH diminui. Assim, um pH mais alto (número maior) é mais alcalino ou básico que um pH baixo (número menor). E um pH mais baixo (número menor) é mais ácido que um pH mais alto (número maior).

 

 

TIPOS DE MEDIDORES DE pH

 

Existem duas formas principais de se medir o pH de cosméticos. Uma destas formas é utilizar as fitas universais de pH.

A Fita Universal de pH é a forma mais simples, rápida e amplamente usada em diversos setores para medir o pH de soluções.

Estas fitas são tiras de filtro de papel impregnadas com indicadores, ou seja, substâncias que apresentam determinada coloração quando apresentadas a cada variação de pH, e, portanto, podem indicar a qual número na escala de pH se refere uma substância.

O intervalo da escala de pH vai de 0 a 14, quanto mais próximo ao 0 mais ácido e quanto mais próximo ao 14 mais alcalino. Normalmente, o vermelho é a cor dos ácidos, assim soluções menos ácidas compreendem do laranja ao amarelo, enquanto soluções neutras são verdes. Já as soluções básicas são azuis e roxas.

As fitas indicadoras geralmente são acompanhadas com uma cartela de cores apresentando os tons correspondentes para os valores de pH. Logo, para verificar o pH de cosméticos, basta seguir o passo a passo abaixo:

 

1 – Remover a Tira Universal de pH da caixa.

2 – Imergir o papel indicador de pH dentro da solução durante cerca de 3-5 segundos.

3 – Retirar a tira da solução, removendo o excesso de líquido.

4 – Comparar a cor da tira com as cores da tabela presente na caixa, elas vão indicar se a solução é alcalina, ácida ou básica.

5 – Anotar o resultado de acordo com a cor que mais se aproxima da cor da tira.

DICA: É importante não deixar a tira secar antes de comparar com a tabela de cores.

 

As tiras de pH são muito práticas, com um custo bem reduzido e utilizadas para verificações pontuais e rápidas, quando apenas o conhecimento aproximado é necessário, mas não vão oferecer um valor preciso para o nível de pH.

Para uma medição exata é usado o equipamento pHmetro de bancada, que é outra forma bastante utilizada para se medir o pH de cosméticos.

A determinação do pH em um pHmetro é potenciométrica, feita pela medição da diferença de potencial entre dois eletrodos adequados, imersos na solução analisada. Um desses eletrodos é sensível aos íons hidrogênio enquanto o outro é um eletrodo de referência, de potencial constante, em contato com a solução tampão.

O equipamento funciona com um eletrodo que é conectado a um potenciômetro, que produz uma tensão em milivolts quando é submerso na amostra, e a intensidade da tensão é medida e convertida em unidades de potencial hidrogeniônico, ou seja, em uma escala de pH, que é apontada em uma numeração que vai de 0 a 14 — em que índices iguais a 7 indicam neutralidade, menores do que 7 apontam acidez e acima disso representam alcalinidade.

Como as medidas de pH são sensíveis a variações de térmica, os pHmetros também são equipados com sensores que realizam o ajuste eletrônico de temperatura.

Antes de utilizar o pHmetro deve-se verificar a limpeza e determinar a sensibilidade do eletrodo, utilizando-se soluções tampão de referência e, quando aplicável, calibrar (ajustar) o equipamento para obter um resultado preciso.

Não é necessário calibrar o pHmetro diariamente. Isso depende do quanto a medida do pH é crítica no processo e também a intensidade do uso do pHmetro. No entanto, é recomendável calibrar o instrumento em uso, no mínimo, uma vez por semana para não correr o risco de ocorrer erros em seu uso.

Usualmente o eletrodo do aparelho fica imerso em solução de cloreto de potássio 3M (KCl). E para realizar a aferição do pHmetro, deve-se retirar o eletrodo da solução de KCl, lavá-lo com jatos de água destilada e enxugá-lo com papel. Em seguida, deve-se imergir o eletrodo na solução analisada e o valor do pH aparecerá no visor do aparelho.

 

COMO PREPARAR A AMOSTRA PARA ANÁLISE

 

Conforme o estado do produto: liquido, semissólido ou sólido; a amostra deve ser tomada e tratada da seguinte forma para análise, de acordo com as recomendações da Agência de Vigilância Sanitária- ANVISA:

 

1 –  Amostra em Estado Líquido: Depois de homogeneizada, alguns mililitros do líquido devem ser transferidos para um recipiente adequado, a fim de realizar os ensaios pertinentes.

Neste estado encontram-se produtos tais como perfumes, loções, soluções, óleos, leites, aerossóis, entre outros.

 

2 – Amostra em Estado Semissólido: Produtos em embalagens com abertura estreita como bisnagas, por exemplo, deve-se descartar a primeira alíquota do produto e retirar a amostra para ensaio. Já produtos em embalagens com abertura larga como potes, por exemplo, a camada superficial deve ser eliminada, homogeneizando-se o restante, para então ser efetuada a tomada de amostra para ensaio.

Neste estado encontram-se produtos tais como cremes, emulsões e géis.

 

3 – Amostra em Estado Sólido: Para produtos como pós a embalagem deve ser agitada antes de ser aberta, a fim de garantir a homogeneização da amostra. Depois, efetuar a amostra para o ensaio. Já pós compactados, sabonetes em barra e batons na forma de bastão, a camada superficial do sólido deve ser eliminada por meio de uma leve raspagem, para então ser efetuada a tomada de amostra para ensaio.

Neste estado encontram-se produtos tais como pós, pós compactados (sombras, pós compactos, blush), sabonetes em barra e batons na forma de bastão.

 

COMO MEDIR O pH DE PRODUTOS COSMÉTICOS SÓLIDOS E SEMI-SÓLIDOS?

 

É importante saber que que a medição do pH é relativa à quantidade de íons liberados por uma determinada substância quando em meio aquoso, logo somente substâncias aquosas têm pH. Assim, a medição de pH não é aplicável para sistemas insolúveis em água, como balms e bastões anidros ou soluções não aquosas, como álcool e óleos, por exemplo.

Contudo, se o produto for uma loção ou solução, a ANVISA recomenda determinar o pH diretamente sobre o líquido, imergindo o eletrodo do pHmetro diretamente nele ou imergindo a fita universal de pH para cosméticos por cerca de 3 a 5 segundos, retirar a tira da solução, removendo o excesso de produto, e comparar as colorações obtidas na fita com as colorações apresentadas na escala do próprio produto.

Caso o produto seja um sólido ou semissólido, a ANVISA recomenda preparar uma solução/dispersão/suspensão aquosa da amostra em uma concentração preestabelecida e determinar o pH da mistura com o eletrodo apropriado. Em alguns casos, a medição pode ser feita diretamente na amostra.

Por exemplo, pode-se pesar 1 g do sabonete e acrescentar 100 mL de água destilada. Depois, levar a solução à fervura até completa dissolução da amostra. E após a temperatura atingir 30°C, realizar a verificação do pH da solução.

Caso seja necessário reduzir o pH, ou seja, acidificar o seu cosmético, poderá realizar o ajuste utilizando soluções de ácidos orgânicos fracos, como o ácido láctico, ácido ascórbico ou ácido cítrico.

Entretanto, caso seja necessário aumentar o pH da formulação, ou seja, alcalinizar o produto, geralmente são utilizadas amino metil propanol, o AMP Ultra PC 2000, ou soluções de hidróxido de sódio, alumínio ou trietanolamina.

O neutralizador trietanolamina já vem pronto e não requer nenhum tipo de preparo. Já o hidróxido de sódio deve ser feito em solução da mesma forma que a solução de ácido cítrico.

Depois de escolher o agente corretor de pH a ser utilizado, seja ele um acidulante ou um alcalinizante, adicione aos poucos o agente escolhido na sua formulação, homogeneizando bem e verificando o novo pH obtido após cada adição.

Não se esqueça de deixar a solução completamente homogênea, misturando bem os componentes para medir o pH.

Anote com um papel e lápis, quantas gotas foram necessárias para chegar no pH desejado para a formulação em questão, que na próxima vez que for fazê-la já saberá a quantidade aproximada de corretor que deverá usar.

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Referências

Csordas, Y., Galembeck, F. [Cosméticos: A Química da Beleza].

Guia Prático de Farmácia Magistral

ANVISA Guia de controle de qualidade de produtos cosméticos – Uma abordagem sobre os ensaios físicos e químicos. Brasília, p. 18 – 121, 2008.

Feitosa, A. (IFAL) ; Lima, I. (IFAL) ; Silva, A. (IFAL) ; Souza, A. (IFAL). DETERMINAÇÃO DE ALCALINIDADE E pH DE SABONETES COMERCIAIS EM BARRA PARA CONTROLE DE QUALIDADE. 8º Encontro Nacional de Tecnologia Química Realizado em Vitória/ES, de 09 a 11 de Setembro de 2015.

https://kasvi.com.br/como-usar-tira-universal-ph/http://www.prolab.com.br/blog/equipamentos-aplicacoes/phmetro-de-bancada-entenda-sua-funcao-e-como-usar-o-equipamento-corretamente/

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