TENDÊNCIAS EM PERFUMARIA

Fragrâncias e perfumes têm sido usados por milhares de anos e transmitem mensagens de beleza, limpeza e funcionalidade. Estes cheiros têm o poder de desencadear efeitos mentais e psicológicos, além de oferecer um caminho seguro para o desenvolvimento de novos produtos, espaços e tecnologias.  Portanto, conheça um pouco sobre a evolução da perfumaria e suas principais tendências. Não Perca!

 

A HISTÓRIA DA PERFUMARIA

 

A palavra perfume deriva do latim per fumum, que significa “através da fumaça”. Percebe-se nesta tradução o uso primordial dos perfumes e talvez a mais antiga aplicação das misturas das fragrâncias: nos rituais religiosos para invocar ou agradar aos deuses por meio da fumaça da queima de ervas, que liberavam diferentes aromas agradáveis.

E esse estreita relação da religião com os perfumes dura até hoje, como pode ser vista em cerimônias, por exemplo, da igreja Católica, nas quais incensos são queimados em ocasiões especiais.

Assim, a história da perfumaria caminha juntamente com a história da humanidade, podendo-se dizer que ela existe desde que o ser humano possui o sentido do olfato. Desde os primórdios, as pessoas utilizaram fragrâncias e odores em muitos âmbitos da sua vida cotidiana.

Civilizações antigas como os egípcios, utilizavam perfumes com propósitos místicos, tais como nos templos e no embalsamento dos mortos, além de utilizarem os perfumes esteticamente, no qual tinham um papel na hierarquia social.

Egípcios mais abastados usavam óleos, pomadas e unguentos perfumados. Os óleos mais usados eram extraídos do açafrão, das sementes de abóbora, de azeitonas, das sementes de gergelim, da mirra, da canela e do óleo de cedro. No processo de embalsamento utilizavam óleos perfumados que eram massageados no corpo para que “ficassem para a eternidade”, já que os egípcios acreditavam na vida após a morte. Em 1912, quando o corpo do imperador Ramsés V foi encontrado, ele continha resinas de cânfora, mirra e óleo de junípero.

As matérias-primas desses perfumes eram vendidas nos mercados da época por outros povos, como os assírios, os persas e os babilônicos. Estes acabaram aprendendo as técnicas de preparo dos perfumes e, assim, essas trocas proporcionaram a continuidade dessa história.

A arte da perfumaria realmente se desenvolveu na Grécia antiga. Um grego chamado Teofrasto, foi o primeiro a escrever sobre os perfumes, desde a sua composição até a sua preparação, no tratado dos odores, fato esse muito importante visto que, até aquele momento, as práticas de perfumaria eram passadas de “boca em boca” e somente para pessoas específicas, como sacerdotes e aristocratas. Teofrasto escreveu uma obra detalhada, com receitas aromáticas, prazos de validade, os usos terapêuticos e a conservação dos perfumes para que não mudassem de cor e odor. Na medicina, também era utilizado perfumes concentrados para a cura de certas enfermidades.

Entretanto, foram os romanos que passaram a usar os perfumes na higiene pessoal em todos os níveis da sociedade. O Imperador Nero tinha em seu palácio canos de prata que aspergia perfumes nos convidados que chegavam para os banquetes. Calígula, outro famoso imperador romano, gastava enormes quantidades de perfumes em seus banhos. Foi com os romanos que o banho se tornou popular, e antes de tomá-lo, a pessoa era ungida com óleo perfumado.

No Século VIII e IX d.C., foi descoberta a destilação de matérias-primas, como a cássia, mirra, o cravo, a noz-moscada e a rosa – todas vindas da Índia, gerando óleos muito aromáticos. Avicenna, médico da época, conseguiu produzir água de rosas a partir dessa técnica. Químicos italianos e espanhóis, a partir do ensinamento dos árabes, puderam produzir a destilação do álcool, possibilitando melhores extrações de plantas e produção de extratos mais puros.

No Século XVI, a demanda por perfumes era tão alta na Europa, que estes começaram a ser produzidos por frades dominicanos na Itália. Os perfumes viraram moda entre as famílias mais ricas, Catarina de Médici, Rainha da França, tinha seu próprio grupo de perfumistas vindos da Itália. Um deles fez fama com o mercado de perfumes ao iniciar uma plantação de flores que levou a produção de óleos essenciais e águas perfumadas. Era o começo da famosa indústria de perfumes da França.

Já no Século XVII, as cidades começaram a crescer desordenadamente e, consequentemente, as ruas ficaram muito sujas, liberando um odor extremamente desagradável. As pessoas da época eram tão sujas quanto as cidades onde moravam e para resolver esse problema os perfumes eram usados em abundância. Mascava gomas aromáticas para encobrir o mau hálito e carregavam uma pequena bola feita de perfumes, o pomander, para diminuir seus cheiros corporais repugnantes. Era mais comum usar perfumes que tomar banho.

Com a chegada do Século XVIII, os perfumes assaram a ser fabricados em casas especializadas, principalmente pelos farmacêuticos da época. Nessa época foi criada a “água de colônia”, na cidade de Colônia, na Alemanha. Inicialmente era vendida como elixir da vida, mas ficou famosa por ter uma característica refrescante.

A explosão da química orgânica ocorreu no início do século XIX, quando compostos orgânicos foram sintetizados a partir de compostos inorgânicos. Técnicas de destilação fracionada, a vácuo e a vapor, foram largamente empregados. Houve um grande progresso na área industrial, produção de pasta de dente, sabão, shampoos, perfumes e outros cosméticos tiveram grande crescimento e desenvolvimento.

 

No começo do Século XX, novas fragrâncias foram descobertas a partir da criação dos compostos sintéticos, além da produção de odores sintéticos que reconstituíam os naturais. Na segunda metade daquele século, a perfumaria tornou-se uma ciência, o controle de qualidade passou a ser um procedimento padrão em todas as indústrias, e, nos anos 1980, o desenvolvimento da espectrofotometria de massa possibilitou a identificação e a pureza dos materiais utilizados.

Também no século XX, os perfumes passaram a conjugar-se com a moda. No século XXI, a cada tendência de moda que surge, a indústria química responde com uma nova fragrância, e várias delas marcam época.

 

 

TENDÊNCIAS EM PERFUMARIA

 

As tendências em perfumaria são, em grande parte, reflexos das mudanças pelas quais passa a sociedade, ainda que essa relação se expresse de maneira bastante sutil.

A perfumaria mundial segue acompanhando as transformações da sociedade, acompanhando as transformações de homens e mulheres, e hoje a produção de perfumes está muito voltada ao ecologicamente correto e ao mercado do marketing olfativo, que se baseia na linguagem primitiva do instinto e da emoção, bem como a pesquisa de novas fragrâncias, ou a produção de novos produtos para atingir um público específico.

As tendências são variadas e transitam entre um cenário que vai desde o conceito de bem-estar, com a pureza e a refrescância das águas de colônia, até o urbano, o luxo, a tecnologia… Dentre tantos outros direcionamentos.

A relação entre o contexto social e os desdobramentos refletem no perfume e suas marcas. Algumas criam uma forte identidade com base na matéria-prima da qual seus perfumes são feitos. Outras marcas refletem em seus perfumes o que acontece na sociedade, como o CK One e o Eternity, da Calvin Klein. O CK One foi lançado em 1994 para celebrar a liberdade e a individualidade, num período em que o mundo vivia os primeiros anos depois do fim das repúblicas comunistas na Europa, com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a dissolução da união soviética, em 1991.

Alguns anos antes, no final da década de 1980, o mundo sofria ante a epidemia do vírus HIV. A marca então lançou, em 1989, o Eternity, que trazia “nas entrelinhas” uma mensagem que incentivava o relacionamento estável e duradouro.

Em tempos de tranquilidade tudo se torna mais colorido e ousado, ao passo que nos momentos de maior turbulência, o clássico se manifesta de maneira mais evidente, num movimento que leva o consumidor a uma atmosfera romântica, de conforto e segurança.

 

 

Na onda do conceito de bem-estar, ganham destaque as águas de colônia, que remetem a pureza, as águas e ao ar. No Brasil, a redescoberta das águas de colônia é demostrada na quantidade de lançamentos e de novas variantes para linhas já existentes. Em 2010, a categoria de água para banho somou 33 de um total de 86 lançamentos de perfumes feitos pelas companhias Boticário, L’acqua de Fiore, Jequiti e Natura.

A aceitação das águas de banho e águas perfumadas no Brasil, se deve, primeiramente, ao fator custo-benefício, e pelo fato das empresas lançarem nessa categoria quase todas as direções olfativas, proporcionando ao consumidor uma ampla variedade de escolha.

Outra tendência entre os brasileiros é o gourmand, principalmente na família oriental gourmand, que fazem referência ao mundo das comidas açucaradas e normalmente levam acordes como chocolate, caramelo, algodão doce, baunilha, podendo ser associados a premissa do prazer e da sensualidade. Seu grupo olfativo vem da família oriental frutal, toques de chocolate, associados a frutas vermelhas, sândalo, baunilha, menta, pimenta preta, âmbar, notas cítricas, entre outros.

O leque de tendências que permanecem em alta ainda abrange o conceito de glamour e luxo, assim como o universo Fashion e elegante, inspirados em materiais nobres como o cristal, ouro e diamante.

A tendência naturalista também ganha mercado e é demostrada como força da natureza, harmonia com o meio ambiente, corpo e espírito. Outra tendência é o conceito urbano, moderno e tecnológico. Quando se trata de perfumes masculinos, sedução, mistério e força ainda retratam a maioria dos lançamentos.

 

 

Os consumidores brasileiros têm mais acesso ao crescente número de opções e estão abertos as experimentações. Contudo, mais conservador do que a mulher, o homem brasileiro prova novidades com cautela, contando com o aval feminino para confirmar sua escolha.

A preferência masculina ainda é marcantemente amadeirada ou muito limpa e fresca. Porém, está em curso o desenvolvimento de perfumes masculinos mais orientais e adocicados, demostrando uma nova abertura no tipo de perfil olfativo preferido pelos homens brasileiros ou, minimamente, demostra que eles estão dispostos a provar os perfumes masculinos inovadores que surgem no mercado, e parece gostar deles.

Já as mulheres brasileiras, ecléticas e abertas a novas experiências, provam de tudo. A preferência olfativa delas ainda está em construção, vai de lavanda ao oriental, do chipre aos florais e usa perfumes masculinos sem preconceitos, sejam eles emprestados do parceiro ou comprados para aqueles dias nos quais quer perfumar-se, mas não necessariamente quer sentir-se sexy.

Os brasileiros continuam dando preferência as fragrâncias aromáticas, que nas épocas mais quentes oferecem refrescância e conforto. Destaca-se um gosto peculiar do mercado nordestino, no qual são mais bem aceitos os perfumes com notas fortes e pesadas, apesar do clima quente da região, porque estes estão diretamente relacionados a sedução.

Em síntese, os acordes “mais seguros e comerciais” são o Floral e Frutal para as mulheres, seguido da Oriental Frutal e Oriental Gourmand, o Amadeirado, Woody e Ozônico para homens, e o Fougére, o Herbal e o Cítrico para ambos.

Contudo, o futuro da perfumaria brasileira está em ser original, única e excêntrica, assim como é a identidade do nosso povo, com essa alegria aparentemente inexplicável, esse otimismo persistente. Portanto, ao formular um perfume pense nas suas preferências e, com base nelas, crie uma identidade única.

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